Love will tear us apart (again)

Love will tear us apart, que descreve a dissolução do casamento de Ian Curtis, é o nome de uma das canções mais populares dos Joy Division. O ritmo de dança e a voz quase andróide de Curtis distanciam-na da sentimentalidade própria das canções de amor e lançam-na num movimento em direcção ao desespero. O amor está condenado, nada o pode salvar “something so good just can't function no more”. Somos levados a pensar que há forças em jogo que vão dissolvendo a relação, como se um qualquer mecanismo externo trabalhasse contra – há uma insatisfação e uma incapacidade de satisfazer o outro e, simultaneamente, uma incapacidade de falar sobre o assunto, que cava um fosso e provoca a separação.

A questão do amor condenado não é nova. O que torna a canção triste e desesperada não é o facto de o amor separar o casal mas sim o facto de o amor o separar outra vez, ou mais uma vez, numa inexorável repetição. Apesar do tormento, parece que não há forma de evitar o regresso – do amor e do tormento. Para Klein, o amor é um processo. O bebé aprende a amar através da relação com a mãe e, em particular, com o seio materno, que o alimenta e securiza. É através destas trocas íntimas que o amor é construído. Mas tal como aprende a amar, o bebé desenvolve, também, a capacidade de odiar, gerada nos momentos em que a mãe o frustra porque não providencia o alimento e a segurança necessários. A dinâmica desta relação permite à criança fantasiar: o bebé que sente necessidade do seio materno quando este não está lá, pode imaginar a sua presença e a satisfação que dela derivaria. E assim se constitui o espaço da frustração em que a dor é gerada. Desde muito cedo, porque crescemos com a inevitável perda de intensidade da primeira relação, conseguimos ver que o amor estará, ao longo da vida, para sempre associado à perda. O sujeito é ensinado a amar e logo a seguir a perder numa rápida sucessão de acontecimentos que exige uma reparação. O amor é simultaneamente inescapável e impossível. E apesar da dor causada pela perda, estaremos sempre condenados a tentar, sucessiva e repetidamente, reencontrá-lo. Persistimos nesta procura devido a uma compulsão para repetir (subordinada ao princípio do prazer, a força que nos impele para o objecto, segundo Freud) ou porque, como veio a propor Fairbairn, a força que nos move é a necessidade fundamental de estabelecer uma relação com o objecto – o Outro e outro depois dele, again.


When routine bites hard And ambitions are low And resentment rides high But emotions won't grow And we're changing our ways Taking different roads

Love, love will tear us apart again Love, love will tear us apart again

Why is the bedroom so cold? Turned away on your side Is my timing that flawed? Our respect run so dry? Yet there's still this appeal That we've kept through our lives

But love, love will tear us apart again Love, love will tear us apart again

Do you cry out in your sleep? All my failings exposed

Gets a taste in my mouth As desperation takes hold And it's something so good Just can't function no more?

Love, love will tear us apart again Love, love will tear us apart again Love, love will tear us apart again Love, love will tear up apart again


Bernard Summer, Stephen Morris, Peter Hook e Ian Curtis, 1980









Single cover photo (1980, Factory, UK)

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