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UMA PALAVRA LIVRE / MAIS FIEL À SIMPLICIDADE NOVA DE UM COMEÇO

por Maria Teresa Sá



"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito"

Oscar Niemeyer



Freud escreveu que “(…) os poetas são aliados muito valiosos, cujo testemunho deve ser levado em alta conta, pois costumam conhecer uma vasta gama de coisas entre o céu e a terra com as quais a nossa filosofia ainda não nos permitiu sonhar”.




A Psicanálise, no seu projeto de luz subitamente acesa ao jamais-dito, propõe-se acolher a deriva, o desvio, o efémero, o fluir da palavra, a curiosidade e o espanto, olhar aberto e criativo sobre o psiquismo e sobre uma história, sempre inacabada. Por isso, a singularidade é um elemento essencial do encontro e do método, tal como a abertura, o amor à verdade e o genuíno interesse pelo que o outro traz de estranho, mesmo, ou sobretudo, aquele que antes da jornada assegura que nesse espaço interior não vê nada que lhe mereça atenção.


Pois não acontece, como Winnicott nos lembrou, que o mundo das nossas percepções, também interiores, é letra morta enquanto não for animado por um olhar? Que olhar é este que anima o espírito a ir mais além do que se dá a conhecer e que convida a mergulhar nas profundidades? Que se aceite falar do que se sabe, mas igualmente ouvir o que ainda não se sabe, o jamais-dito, o irrepresentado, e explorar esse espaço infinito que nunca se dará totalmente a conhecer? que se parta ao encontro de um Eu que também é um Outro e que se assista à eclosão do pensamento, olhando-o, escutando-o?


A Psicanálise só é terapia pela palavra quando, e porque, é uma terapia pela escuta. A palavra, relançada pela escuta no movimento psíquico em curso - o que nos interessa é o movimento - pode abrir-se a infinitos novos significados. O inconsciente, parte submersa do iceberg, possivelmente sensível a esta escuta, ser aflorado e vir respirar à superfície. E o sujeito, no espaço transicional que a relação terapêutica instaura, com alguém disposto a sonhar o sonho impossível, nessa zona de fronteira entre passado e presente, que deixou de ser terra de ninguém, emergir mais disponível para sonhar o que ainda não aconteceu.


Por isso a escuta é a espera vazia aberta ao tempo e à possibilidade de uma palavra livre mais fiel à simplicidade nova de um começo (António Ramos Rosa).

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