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ENTREVISTAS COM PSICANALISTAS

Este é um projecto invulgar em que psicanalistas portugueses e internacionais, dedicados à escuta das histórias de pacientes, contam agora as suas próprias histórias sobre a vida, a profissão e a forma como compreendem o mundo.

No centro destas conversas, está o profundo impacto da psicanálise na vida pessoal e profissional destes psicanalistas e na forma como percepcionam e navegam pelo mundo. A psicanálise não é meramente uma estrutura teórica, mas uma experiência vivida que molda tanto o analista quanto o analisado. Além disso, o impacto da psicanálise estende-se para além dos limites das sessões terapêuticas. Estas entrevistas revelam como os psicanalistas aplicam os seus conhecimentos a questões sociais mais vastas, tornando-se agentes de mudança e defensores de uma compreensão mais profunda da mente humana.

São raras as ocasiões em que os psicanalistas falam publicamente de si. Essa atitude tem origem numa recomendação centenária de Freud que integra nos fundamentos da técnica psicanalítica a regra da abstinência e do anonimato. Esta sugere que o psicanalista deve restringir a sua actividade à observação e à interpretação do material inconsciente do paciente que surge nas sessões e deve abster-se da gratificação da curiosidade e de outros desejos do paciente sobre a sua pessoa e vida fora do consultório, preservando assim ao máximo o anonimato. A recomendação de abstinência visava proteger o processo analítico. A aplicação rígida desta regra na análise, no entanto, pode tornar o psicanalista opaco e distante e constituir um entrave à relação analítica e à progressão da análise. Com o desenvolvimento da psicanálise, o clima de análise adquiriu um estilo mais coloquial, com menos receio de que o psicanalista apareça como pessoa, em sua autenticidade. Sem nunca perder o indispensável enquadramento psicanalítico, a abstinência inclina-se mais para entender do que para atender às curiosidades e aos desejos do paciente.

A mesma abstinência rígida dos psicanalistas fora do consultório tem conduzido a uma representação social distorcida da psicanálise nos meios de comunicação, na literatura e nos filmes, o que leva à perpetuação de uma visão estereotipada do campo, com prejuízo para a psicanálise e para as pessoas que poderiam beneficiar dela.

Porém, tem-se verificado um movimento global de abertura e de comunicação entre a psicanálise e o tecido social. Um exemplo disso são as conversas intimistas com psicanalistas no podcast On and Off the Couch, do principal órgão internacional regulador da psicanálise — International Psychoanalytic Association —, que aplicam o seu conhecimento, para lá do consultório, nos mais variados contextos. Este projecto insere-se, no plano nacional, neste movimento global.

A equipa é constituída por Alexandra Comibra, Csongor Juhos, Teresa Abreu e José Manuel Vera.

Entrevistas com Psicanalistas

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