with
Howard Levine, Ofra Eshel, Riccardo Lombardi
Joshua Durban, Anne Alvarez, Avner Bergstein
Judy K. Eekhoff, Robert Caper, Leopoldo Bleger
Sebastian Thrul, Steven Jaron
Teresa Abreu & Csongor Juhos
FREE ASSOCIATION LISBON
HABITATES INERNOS
ENTREVISTAS SOBRE O ENVELHECIMENTO E A MORTE

Vivi rodeada de mulheres de diferentes idades durante toda a minha infância e adolescência e, como tal, sempre ouvi falar das coisas rotineiras da vida: nascimentos, mortes, conselhos sussurrados para aliviar os calores da menopausa ou para lidar com traições. Havia um único assunto que, quando eu estava presente, era calado: a sexualidade. A convivência com esses silêncios e entrelinhas despertou em mim a escuta para o não-dito. Hoje, deparo-me com um tabu diferente, mas igualmente ensurdecedor: o que rodeia o envelhecimento e a morte.
Enquanto psicanalista, sempre apreciei trabalhar com pessoas de mais idade. Naturalmente, o envelhecimento traz perdas e medos: das limitações físicas, da morte de pessoas significativas, de perder um lugar de relevância.
Elisabeth Kübler-Ross defende que a morte é frequentemente imaginada na sociedade como um acontecimento pavoroso, constituindo um temor compartilhado. Assim, os seres humanos parecem esquivar-se da morte ou até mesmo ignorá-la, negando a sua própria condição de seres mortais. Na sociedade contemporânea ocidental, a morte deixou de ser encarada como uma etapa natural do ciclo de vida.
Uma pessoa, ao aproximar-se da morte, precisa de elaborar sobre a vida que viveu, de fazer o luto da vida que não vai ser vivida. A pessoa que vai morrer e tem consciência de que esse momento se aproxima, expressa, muitas vezes, a impossibilidade de falar sobre o assunto com familiares, amigos e até com os profissionais de saúde. Instala-se uma conspiração de silêncio, “Não diga isso!”, ”Que ideia é essa?”,“Tem de ter um pensamento positivo”. Os familiares e amigos da pessoa que se aproxima da morte também são envolvidos nesta conspiração. Este silêncio é fonte de sofrimento psíquico para todos os envolvidos.
Viver a aproximação da morte é uma situação complexa para a qual não há um caminho único.
Ao ouvir falar sobre a morte, as pessoas são remetidas para a própria mortalidade. Pensar sobre a morte pode desenvolver a própria capacidade de lidar com o sofrimento e a dor, promovendo a escuta e a empatia.
Por tudo isto, nasceu a ideia de fazer estas entrevistas sobre o envelhecimento e a morte. E para pensar sobre estas dimensões íntimas e habitualmente silenciadas, mas também sobre as dimensões biológica, social e cultural, abrimos este espaço no Internal Habitats.
Alexanda Coimbra, 2026




